Este artigo engloba uma review sobre o filme disponível na Netflix “A Plataforma” e algumas interpretações que talvez tenham passado despercebidas. Por isso se ainda não tiveste oportunidade de o ver, volta aqui depois de o veres! 🎬

Devo dizer que gostei muito deste filme apesar do final ter ido contra as minhas expectativas. Ou isso ou então apenas queria “mais filme”. Ele acaba por nos mostrar algumas semelhanças entre o buraco, sitio onde decorre este filme, e a sociedade atual.

No topo do buraco, nível 0 é onde são confeccionadas as melhores refeições, dignas de um banquete estas refeição são meticulosamente preparadas para 666 Pessoas. Podemos dizer que este número sugere que este sitio não será o sitio mais amigável de sempre.

Goreng é o nosso protagonista, que acorda no nível 48, mas pouco antes de acordar ouvimos o seu colega de piso, Trimagasi:

“Há três tipos de pessoas. Aqueles de cima. Os de baixo. E os que caiem.”

A primeira e mais importante frase do filme transmite-nos aquilo que também é comum com a nossa sociedade. Temos as pessoas de cima que não querem mudança. As de baixo que querem mudança mas têm falta de recursos para a fazer. E aqueles que estão dispostos a arriscar tudo, incluindo a morte, para criar uma mudança no sistema.

Os que caiem acabam por ter dois sentidos. Por um lado os que literalmente caiem dos vários andares do buraco. E aqueles que decidem por iniciativa própria descer procurando a mudança.

Maior parte deste filme passa por criarmos um bond com o nosso protagonista, e perguntarmo-nos o que faríamos na sua situação. 

O buraco funciona quase como uma mistura de um sistema de recompensas e purgatório, onde é prometido algo em troca se chegarem até ao fim do tempo acordado dentro do buraco. Goreng ofereceu-se para entrar no Buraco em troca de um diploma universitário. Trimagasi em troca da liberdade. E a Imoguiri foi-lhe prometida a cura para o cancro. Imoguiri trabalhava para a administração do buraco mas não fazia ideia do que se passava lá dentro. Aliás, durante o filme percebemos que ninguém faz ideia do que acontece lá dentro. – Estas falsas promessas, porque praticamente todos acabam por morrer antes de conseguirem cumprir o seu tempo, acabam por ser uma analogia ao capitalismo. E de que por mais que lutemos, por vezes, não é suficiente. Sobretudo neste buraco onde o sistema é injusto e desajustado!

Ao longo do filme percebemos como é o funcionamento do Buraco. Aprendemos também que cada pessoa pode levar um objecto. No caso de Goreng ele escolheu o livro de Dom Quixote. Não é um detalhe a deixar de lado. A Plataforma é inspirada também nesta história, e se estás familiarizado com ela vais reparar em muitos significados espalhados durante as várias cenas deste thriller. 
Depois de alguns acontecimentos deparamo-nos com a personagem japonesa Miharu. Que desce na plataforma, onde é servida a comida a todos os residentes do buraco, à procura a sua filha, nível por nível. Miharu significa prestar atenção. 
De tempos a tempos um gás é libertado e ambos os dois habitantes de um nível adormecem e acordam num novo piso. Goreng acaba por acordar num nível bem abaixo. Trimagasi, o seu colega de piso, acaba por o prender e mutilar para poder sobreviver. Basicamente Trimagasi diz que ele não é culpado pelos crimes que está a cometer e as pessoas acima dele e o sistema é que são as responsáveis pelos seus actos. Mais uma vez podemos fazer várias comparações com a sociedade onde nos inserimos. 
Imoguiri aparece com tentativas de repor a justiça dentro do buraco, mas sem sucesso. Ela tem uma teoria de que “o buraco” foi criado para testar as pessoas e que só um acto de solidariedade espontâneo os iria libertar.
O cão de Imoguiri foi o escolhido para a acompanhar. O nome dele era Ramessés II, nome do faraó do novo reino. O que faz com a morte do seu cão mais tarde no filme tenha a simbologia da perda da grandeza, de que poderíamos unir todos para determinar um fim.
Goreng mais tarde acorda no mesmo piso que Baharat, o seu novo companheiro. Baharat  aparece como uma personagem que traz a revolta e luta pela mudança. Lutando por levar uma mensagem ao sistema.
No fim do filme ouvimos Goreng a citar Don Quixote:

“A riquesa não é medida por aquilo que tens, mas como a gastas.”

E o gastar nesta última citação refere-se ao repartir a comida por todos e encontrar a igualdade. Podemos entender que provavelmente Goreng morre no final e que a sua morte simboliza o fim da corrupção natural do buraco. Por sua vez a mensagem acabou por ser a filha de Miharu que fora encontrada por Baharat e Goreng. No fim do filme a filha de Miharu ascende na plataforma, como uma faísca que é a ignição para uma mudança no sistema! Acreditamos assim que as gerações mais novas possam ter este poder de mudar o que está errado ⚡️

O que é vocês acharam do filme? 

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